Vendedores do Mercado dos Pinhões ao amanhecer
Às 5h30, o mercado ainda não abriu para o público. Mas as bancas já estão vivas — faca, caixa, conversa baixa.
Passei três manhãs no Mercado dos Pinhões para esta série. Não era pauta de redação: começou quando vi Seu Geraldo arrumar peixe sob luz amarela de lâmpada pendurada. Pedi permissão. Ele assentiu sem parar o trabalho.
O mercado funciona há décadas no Centro de Fortaleza. Turistas raramente chegam nesse horário. Quem está presente são fornecedores de restaurante, donas de casa que conhecem o preço de cada quilo e funcionários que varrem o chão antes da correria.
Luz e cheiro
Fotografar antes do sol exige ISO alto e mãos firmes. Preferi não usar flash — queria preservar a penumbra que essas pessoas conhecem melhor que eu. O cheiro de peixe e cravo misturado não sai das roupas depois.
Na terceira manhã, Dona Neuza deixou eu fotografar as mãos dela enrolando queijo coalho. Disse que trabalha ali desde os 22 anos. Hoje tem 61. "O mercado mudou, mas o amanhecer é o mesmo", resumiu.
Esta série faz parte do projeto contínuo "Trabalhadores do amanhecer". Próxima parada: feira de Crateús, no sertão dos Inhamuns.
Texto: Ana Paula Dantas · Fotos: Thiago Rocha